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terça-feira, 30 de março de 2010

DÉCIMAS SANTAS


Ilustração:joiasdavida.com/.../2008/11/Ressurreição.jpg
Amigos cordelistas, poetas populares e simpatizantes, o blog Cordel de Saia convida os interessados a participarem com suas mensagens de páscoa neste blog.
Pode ser quadra, sextilhas, setilhas, décimas como acharem melhor.
Elas devem ser postadas nos comentários e pela ordem de chegada juntaremos ao texto que inicia a postagem.
Feliz páscoa para todos! Estamos esperando vocês.

Décimas Santas

Chegou a Semana Santa,
Tempo de ressurreição.
Preparei meu coração,
E minha entrega é tanta!
Que minha alma forte canta,
Louvores ao bom Jesus,
Que tanto sofreu na cruz.
Também fez sofrer Maria
Visando um melhor dia
E ao nome de rei fez jus.
Dalinha Catunda
Rio de Janeiro-RJ

SEMANA SANTA

Semana que de Cristo representa,
Grande chegada em Jerusalém.
Ao filho de Deus disseram amém,
Dias antes de lhe darem morte lenta.
No calvário e na cruz fez-se a tormenta.
Um rei chegou, sendo logo coroado
Com espinhos, pelas mãos de um malvado,
Que não teve por Ele a compaixão.
Mas Deus não deixou seu filho na mão.
Deu-lhe vida e para o céu foi elevado!
Ricardo Aragão
Ipu(CE)


Semana Santa

É uma semana pura
Em que a humanidade
Sobre tudo a cristandade
Homenageia a figura
Da sublime criatura
Que veio para nos salvar
Missionário sem par
Que teve a divina lida
De entregar sua vida
E depois ressuscitar.
Décimas de Gonçalo Ferreira da Silva
Presidente da ABLC. Rio de Janeiro-RJ


Via dolorosa

Oh Vírgem, Santa Maria!
Tú que trouxestes ao mundo
O filho de um amor profundo
Para seguir aquela via
Com amor e sabedoria
Trilhou aquele caminho
Carregando grande pinho
Todo seu conhecimento
Não o impediu do tormento
Da coroa de espinho
(Maria Rosário Pinto
Rio de Janeiro - RJ)


"PÁSCOA"
A Páscoa é festa de vida
Ressurreição de Jesus
Que foi pregado na cruz
De forma triste, dorida
E ofertou cada ferida
Pela nossa salvação.
Que hoje nossa oração
Seja um grato manifesto
Por esse divino gesto
De amor e doação
(Josenir Lacerda
Crato-Ceará)


PÁSCOA
Nesta sexta feira santa
Eu quero lhe agradecer
E desejar boa páscoa,
Importante renascer,
E desta ressurreição
Brotando do coração
Possamos nos refazer.
Pedro Monteiro

Páscoa

> Amiga Rosário Pinto
> estou eu aqui de novo
> para fazer uma rima
> que dê alegria ao povo
> e adocicar bem a Páscoa
> com chocolate e ôvo.
J.Victtor
Poeta Dalinha. Segue a décima para o cantinho "Décimas Santas". Viajei na Páscoa. Peço desculpas pelo atraso.

Sufocado no consumo
do mundo globalizado.


Páscoa é renovação,
lembra a saída do Egito
conforme ficou escrito
nos anais da tradição,
celebra a ressurreição
do Cristo crucificado
porém o homem, tentado,
perdeu o foco do rumo
sufocado no consumo
do mundo globalizado.

Sepalo Campelo
7 de abril de 2010 23:16

quinta-feira, 25 de março de 2010

ABOIOS E VAQUEIROS


ABOIOS E VAQUEIROS

No sertão eu me criei,
Vendo a boiada passar.
Os aboios dos vaqueiros
Sempre gostei de escutar.
A boiada seguia em frente
Seguindo o canto dolente
Do vaqueiro a aboiar

Meu coração sertanejo
Transborda de emoção,
Quando vejo uma boiada
Tirando poeira do chão.
O som firme do berrante
Sai do boiadeiro amante
Que gosta da profissão.

Ai como ainda me lembro
Dos encantos de outrora,
Eu, debruçada na janela.
A boiada passando lá fora.
Dói demais meu coração
Boas lembranças do sertão,
Que na alma saudosa aflora.

Vaqueiro trajando couro,
Com perneiras e gibão,
Esporas e botas nos pés
Como manda a tradição.
Assim eu via os vaqueiros,
Passando em meu terreiro,
E me acenando com a mão.

Da lembrança não me sai,
O velho Chico Carmina.
Vaqueiro de seu Esmeraldo,
O esposo de dona Joelina.
Por minha rua ele passava,
E tangendo o gado aboiava
Cumprindo a sagrada rotina.

Eita tempo velho malvado,
Que abusa da judiação.
Maltrata essa nordestina,
Que deixou o seu sertão.
E feito um bezerro apartado
Bem longe do seu estado
Chora querendo seu chão.

Texto: Dalinha Catunda
Foto retirada do site oficial de Ipueiras

quarta-feira, 24 de março de 2010

RECADOADO


Recadoado



Rompendo todas as rimas
Falando com o coração
São versos todos rimados
Com a mesma exatidão
Chamado Recadoado
Pra tocar o coração...

Um abraço apertado
No corpo ficou marcado
Um beijo escorregado
Na boca tenho guardado
Meu coração assustado
Esperando o desejado
Deixou minha dor de lado
É esse o meu recado
Será decodificado?
Será ele escutado?

terça-feira, 23 de março de 2010

GONÇALO FERREIRA DA SILVA COM: SAIAS NO CORDEL


Foto do presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva que presenteou o blog Cordel de Saia com suas interessantes sextilhas.

SAIAS NO CORDEL 2

Mulheres na Academia
Já são comuns no presente
No futebol, na política,
Já tem mulher presidente
No cordel, diz a razão,
Não pode ser diferente.

Três mulheres se uniram,
Nossa querida madrinha
Mena e Maria Rosário
Lideradas por Dalinha
Nos provam que não entendem
Só de tanque e de cozinha.

Mulheres, dentro do tempo
E de civilizações
Ficavam sempre por baixo
Em certas situações
Mas descobriram com o tempo
Diferentes posições.

Meu coração de poeta
É realmente fiel.
Às santas musas da música,
Do bordado e do pincel.
E um escravo servil
Das artistas do cordel.

A nossa Madrinha Mena,
Dedilhando um violão
Anima as tardes festivas
Da nossa instituição
Nestes mais de vinte anos
De muita dedicação.

Mulheres não mais aceitem
Que os homens botem banca
Venham todas, incluindo
A irrequieta Fanca,
O cordel é unissex
Portanto a entrada é Franca.

CORDEL EM MOVIMENTO

RECADO DO LOBISOMEM



Caros amigos,
Estaremos nos reunindo no próximo domingo 28 de março as 11 da manhã no Centro Cultural Quilombo do Leblon, para realizarmos juntos o “Sarau do Quilombo do Leblon”, um evento de preservação e divulgação das culturas populares. Em sua primeira edição o tema será a “Viola e o Cordel”.
Teremos a participação de poetas, cantadores e violeiros, além de uma exposição de Cordéis.
Gostaríamos muito de contar com sua presença e de seus amigos e familiares.
Em anexo ao espaço o restaurante Café do Alto, oferece várias opções da culinária nordestina.
Até lá.
Victor ALvim (Lobisomem) e Leonardo Dib (Boiadeiro)
DATA: DOMINGO - 28 DE MARÇO DE 2010
HORA: 11 DA MANHÃ
LOCAL: CLUBE CAMPESTRE GUANABARA
ENDEREÇO: RUA ALBERTO RANGEL, 71 - ALTO LEBLON
RIO DE JANEIRO

segunda-feira, 22 de março de 2010

PLENÁRIA DE MARÇO - 1ª do ano de 2010

Fotos da plenária de março. Notícia do cordel de saia -22 de março de 2010


Madrinha Mena

Maria Luiza, Gonçalo Ferreira,Vitor Alvim e Dalinha Catunda

Maria Luiza, Gonçalo Ferreira e Chico Sales
PLENÁRIA DE MARÇO - 1ª do ano de 2010

O presidente da ABLC, Gonçalo Ferreira da Silva, deu inicio a plenária agitando o chocalho, como é tradição em nossa Academia.
Após a abertura com votos de boas-vindas, o presidente passou a palavra ao acadêmico, Vitor Alvim Garcia, que fez seu relato sobre obra e vida de seu patrono Severino Milanês.
Em seguida, o poeta, cantor e compositor, diretor cultural da ABLC, Chico Sales, dentre outros assuntos, falou dos projetos que concorrerão ao Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010- Edição Patativa do Assaré.
O presidente Gonçalo Ferreira da Silva, gentilmente, fez uma homenagem em versos ao blog: Cordel de Saia, criado por Dalinha Catunda e Maria Rosário e declamou para os espectadores.
Rosário e Dalinha apresentaram o blog Cordel de Saia e o folheto de cordel As Três Marias, de Dalinha Catunda, que registra a criação feminina, apresentada no Projeto Encontro Com Poetas e Roda de Cantoria, realizado em 2009.
A reunião foi bem concorrida com acadêmicos apresentando seus projetos, distribuindo folhetos e, em clima de confraternização.

domingo, 21 de março de 2010

REGISTRO DA LITERATURA DE CORDEL COMO BEM DE PATRIMÔNIO IMATERIAL

Notícia do Cordel de Saia - 21 março 2010

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel encaminhou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional/IPHAN, pedido de Registro da literatura de cordel como bem patrimonial imaterial. O registro justifica-se face à necessidade de manter viva essa forma de expressão tão importante para a comunidade de poetas de cordel, rede de ensino e, pesquisadores em geral. A importância histórica da produção de dos folhetos de cordel é relevante e desafia os tempos modernos mantendo-se atuante, fomentando, inclusive a formação de novos poetas, com olhos voltados para aqueles que, no passado, lutaram pela preservação e difusão dessa forma de expressão e linguagem poética, tão rica e única.

O pedido de Registro da literatura de cordel, como Patrimônio Cultural Imaterial nos Livros de Registro das Formas de Expressões Populares – como forma de expressão, poética e, no Livro de Registro do Modo de Fazer, justifica-se face a alguns itens evidenciados em textos posteriores, tais como:

- o caráter de oralidade, mesmo nos textos escritos;

- a riqueza das expressões da poética popular;

- o caráter de permanência de uma forma de expressão poética que chegou ao Brasil, na bagagem dos primeiros colonizadores;

- a dinâmica que faz a literatura de cordel manter-se atual, sem contudo, perder sua identidade e, que a diferencia de outras formas literárias;

- as formas e expressão e modo de fazer poético;

- a oralidade como fonte de transmissão da literatura popular e a peculiaridade das expressões e do fazer literário; e, de conhecimentos e conteúdos que são transmitidos de geração em geração.

O pedido encaminhado a Superintendência Regional do Iphan, no Rio de Janeiro, em novembro de 2009, foi ilustrado, poeticamente, com décimas de vários autores, com o mote:


“Queremos para o cordel

Seu registro e tombamento"

"Os membros da Academia

Da cultura guardiã

Solicitam ao IPHAN

Que veja com simpatia

Nossa eterna poesia

Como histórico documento

E neste Requerimento

De conteúdo fiel

Queremos para o cordel

Seu registro e tombamento"

(Gonçalo Ferreira da Silva – Presidente da ABLC)


quinta-feira, 18 de março de 2010

DIA 19 de MARÇO DIA DE SÃO JOSÉ




Apelo a São José

Glorioso São José.
Santo da minha devoção.
Não se esqueça de mandar,
Chuva pro meu sertão.
Aqui o povo é sofrido,
E carece de proteção.

Olho pro gado no pasto,
Tão magro tão desnutrido...
Parece que lambe pedra,
O verde foi destruído.
Só se vê nessas paragens,
Galhos secos retorcidos.

À vontade de trabalhar é grande.
A fé em Deus não é menor.
A gente só quer do senhor,
Uma ajudinha maior,
Pois o nordestino é forte,
Não economiza suor.

Dá uma tristeza danada,
Ver nosso açude secar.
Primeiro vira lama,
Depois se dana a rachar.
Os peixes vão se sumindo,
E os urubus a rondar.

É a miséria chegando,
É a chuva sem chegar,
É a oração e o pranto,
E o pobre sempre a rogar:
Glorioso São José,
Venha nos ajudar.

Texto:Dalinha Catunda
Imagem:lcarol.wordpress.com/2009/01/

quarta-feira, 17 de março de 2010

Guaipuan, muito obrigado

Cordel de Saia recebe mais um importante apoio. O poeta Guaipuan Vieira, reconhecido em todo o país, deixa seu depoimento às organizadoras desse blog, que busca congregar mulheres e homens poetas com seus versos, opiniões e histórias. Venham nos conhecer e deixem suas opiniões.

"Poetisa Maria Rosário Pinto,
Parabéns pelo Blog.
A importância da mulher no cordel é um fato que merece um estudo cuidadoso. Ressalva-se que na década de 80, com a criação do CECORDEL, em Fortaleza, muitas poetisas passaram a sair do anonimato, a exemplo de Vera Maria Oliveira, (já falecida), Ana Lucia Sabino Jucá, Maria Luciene, Vânia Freitas, etc. Viva a mulher no cordel. Viva a mulher brasileira!"
CENTRO CULTURAL DOS CORDELISTAS DO NORDESTE-CECORDEL
Deste de 1987 fazendo história. www.cecordel.com)

Guiapuan, muito obrigada
Pelo seu depoimento
Cordel de Saia chegou
Crescendo como fermento
Dalinha e Rosário estão
Cheias de contentamento

As mulheres estão bombando!
Neste pequeno espaço,
Cordel de Saia chegou
Deixando seu próprio traço.
O risco de seu bordado
Poeta! o nosso abraço.

NOTA DO CORDEL DE SAIA


ABLC CONVOCA

Sábado próximo, dia 20 de março de 2010, a Academia Brasileira de Literatura de Cordel- ABLC dará inicio as atividades do ano acadêmico a partir das 16hs.

Convidamos os amigos e convocamos os acadêmicos a se fazerem presentes nesta primeira plenária.
Entre muitos assuntos, destaco a palestra de Vitor Alvim Garcia que discorrerá sobre seu patrono Severino Milanez.

A Academia Brasileira de Literatura de Cordel fica na Rua Leopoldo Fróes 37-Santa Tereza Rio de Janeiro RJ.

segunda-feira, 15 de março de 2010

O folheto de cordel: sua forma e seus conteúdos


O folheto de cordel: suas formas e seus conteúdos

A literatura de cordel é, hoje, objeto de pesquisa, tendo despertado o interesse de pesquisadores e editores especializados. O folheto de cordel, fonte de informação e entretenimento apresenta a sua elaboração três aspectos, que compõem a peça gráfica: capa, miolo; e, contracapa. O miolo concentra os conteúdos - em que o poeta realiza sua produção poética. As composições são elaboradas sob várias modalidades de composições coerentes entre si: o verso, o tema, a oração e o ritmo. Até final do século passado, os folhetos eram, em sua maioria, impressos em pequenas tipografias e vendidos em feiras populares ou praças públicas. Até hoje, a figura do cantador destaca-se neste universo emprestando sua voz para a divulgação e venda de folhetos. São também os responsáveis pelas cantoria e desafios.

Peça gráfica
A apresentação gráfica do folheto de cordel contém informações de autoria, título e direitos de propriedade ou editora/tipografia. Os aspectos físicos do folheto de cordel são:

Capa — apresenta-se com ilustrações em desenhos, clichês, policromias e xilogravuras. É na capa que encontramos o título do folheto e a autoria. Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cardel, 1982, referindo-se às capas de folhetos nos diz:
“ (...)
Muitos são os gravadores,
Fazendo xilogravuras
Que ilustram suas capas
E páginas com figuras,
Trabalhando em madeiras.
Sejam moles ou bem duras”

Miolo — A literatura de cordel realiza-se sob formas de composição e conteúdos coerentes entre si sendo os abecês, de 8 páginas; contos e cantorias de 8 a 16 páginas; e, romances, de 32 ou 48 páginas.

Conteúdo - O poeta de cordel é um observador do mundo, do meio social em que vive e, assim, distribui suas observações em versos, por meio de grandes temas da literatura de cordel, o trecho poético, de Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, aponta para alguns dos temas mais recorrentes:
“(...)
O cordel tem seus folhetos
Que também são biográficos.
Têm os que descrevem exemplo,
Mas também os pornográficos,
E têm os que dão notícias,
Parecendo jornais gráficos.

Tem os romances de bichos
Misteriosos, mandingueiros,
Que falam, cantam, casam.
Tem os heróis milagreiros,
Mágicos, cômicos, históricos,
Irônicos ou macumbeiros.

Os de pelejas são célebres
Como a de Zé Pretinho,
Cego Aderaldo, Bandeira,
Fabião e Passarinho,
Ana Roxinha, Milanês,
Riachão e Canhotinho.”

Abecê – forma de composição em que o poeta de cordel inicia as estrofes de seu poema seguindo a seqüência de letras do alfabeto - (A) a (Z). É composto em sextilhas (estrofes de seis versos) ou setilhas, (estrofes de sete versos) e aplica-se a qualquer tema conforme ilustração do poeta Franklin Maxado Nordestino em O cordel do cordel, 1982.
“(...)
No Brasil ele ficou
Chamado de abecê
Ou de folheto de feira.
Você pode isso ler.
E ficou mais no Nordeste
Com seu povo a sofrer.”

Biografia — folhetos que relatam a biografia de grandes personalidades, seja da história, da filosofia, do mundo político, intelectual, artístico, religioso, etc. São inúmeros os folhetos que tratam da vida e obra de políticos como Getúlio Vargas; filósofos, como Platão; religiosos como Frei Damião, Padre Cícero e sobre a vida de Papas de todas as épocas.

Cangaço — folhetos que relatam as lutas travadas por grupos de cangaceiros. São conhecidos como folhetos do Ciclo do cangaço. Apolônio Alves dos Santos nos fala do cangaço no folheto Façanhas de Lampião, [19--].
"(...)
Quem conheceu a história
do cangaço do sertão
conta detalhadamente
a vida de Lampião
foi com este que obtive
esta real descrição.

Como ainda tenho lances
arquivados na memória
já porque outros poetas
não chegaram ter a glória
de contar nem a metade
deste sua longa história.”

Cantoria, Desafio e Peleja— a arte de cantar a poesia, por meio de desafio entre dois cantadores. As cantorias ou pelejas são sempre iniciadas e terminadas por sextilhas e apresentam-se sob várias modalidades como as sextilhas de cantoria, galopes, martelos, mourões; dentre outros. Encontramos também as pelejas em que o cantador narra desafios guardados na memória, como nos evidencia Manoel Messias em Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino, [19--]:

“Vou traduzir da lembrança
com otimismo e bom tino
uma peleja que tive
com Francisco Carolino
cantador muito afamado
lá no torrão nordestino.”

O folheto Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia [19--], de autoria do próprio Manoel Camilo dos Santos mostra a variedade de temas percorridos pelos poetas e cantadores.

“Muita gente já conhece
Quem é Antonio Correia
Um cantador conhecido
Da capital à aldeia
A quem se pode chamar
Um vate de musa cheia.

Porque Antonio Correia
Tem ciência e elemento,
Conhece bem a Botânica
E canta com fundamento
Geografia e Lunário
Novo e velho Testamento.”

Educação — folhetos que abordam temas educativos é cada vez mais freqüentes, especialmente, em momentos de grandes campanhas de educação: saúde pública, preservação do meio ambiente, (enchentes, queimadas e secas). O poeta Manoel Santa Maria em seu folheto Defenda-se contra o cólera, 1992, oferece sua colaboração na divulgação das políticas de saúde pública.

“Não vou lhes brindar com nada
Artístico no momento.
Serei breve e objetivo
Para lograr meu intento.
Minha função é didática,
No Cordel que ora apresento.

Em Grego, no masculino,
Era “o cólera”, mas não
Sou filósofo pra entrar
No âmago dessa questão.
Sou apenas cordelista
De alma, corpo e coração!

Segundo as autoridades
Sanitárias eis aqui
Os cuidados a tomar.
Pesquisei e converti
Em versos simples, diretos,
Neste Cordel que escrevi.

É uma infecção aguda,
Contagiosa, causada
Pelo Vibrião Colérico,
E que se não for tratada
Com a urgência devida
Decreta o fim da fornada!”

E o poeta segue sua jornada esclarecedora sobre as medidas a serem tomadas para evitar a contaminação, finalizando com a estrofe:
“(...)
Finalizando, eu espero
Que este folheto lhe ajude
Contra o cólera, porém
A higiênica atitude
É sua melhor defesa,
Tratando-se de saúde!”

Lenda — As lendas brasileiras constituem tema dos mais recorrentes na literatura de cordel, como nos mostra o poeta Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, nos folhetos Lenda da Vitória Régia, 1997; Lenda do Caipora, [19--]; e, Lenda do Saci Pererê, [19--], dentre tantos outros:
“(...)
Quem conhece um Saci
conservará na lembrança
um moleque brincalhão,
peralta que não se cansa
ou seja: um gênio lendário
com espírito de criança.

Notícia — folhetos que tratam de notícias de interesse público, fatos de grande repercussão no
mundo, como: chegada do homem à lua, escândalos políticos e sociais, tragédias (World Trade Center), desastres aéreos, ferroviários, rodoviários fluviais ou marítimos, crimes, guerras, etc. O folheto, nos seus primórdios, supria a carência de veículos de comunicação como jornais, revistas, rádios e televisão. Este importante papel é reforçado nos versos de Mestre Azulão, em O que é literatura de cordel?, [19--], em que esclarece o valor do cordel como fonte de informação e notícia:
“(...)
Esta cultura tem dado
Informação e ensinos
As escolas do nordeste
Para adultos e meninos
Servindo como jornais
Que levam das capitais
Para os sertões nordestinos”

E segue ressaltando o valor e a credibilidade das informações contidas nos folhetos de cordel e
divulgadas em feiras e praças públicas pelos poetas e cantadores:
“(...)
Repentista e cordelistas,
São conhecidos demais
Seus repentes e cordéis
São verdadeiros jornais
Que levam pra todas feiras
As notícias brasileiras
E internacionais.

Confiam mais no poetas
Porque são muitos fiéis
Desconfiam dos jornais
Que mentem nos seus papéis
Dizendo em praças e feiras
Que notícias verdadeiras
São aquelas dos cordéis.”

Romance — O termo remete para o Romanceiro popular brasileiro, aos romances e folhetos orais e escritos, cantados ou recitados, cuja estrutura herdada da Europa adaptou-se aos temas e vozes nordestinas, que tratam de grandes narrativas de guerras, viagens ou conquistas marítimas, feitos heróicos e de aventura. São fragmentos das epopéias medievais conservados na memória do povo e transmitidos pela tradição oral.

O primeiro verso de um romance é sempre marcado por um apelo às musas inspiradoras, observe o verso de Severino Borges da Silva, em Ali-Babá e os 40 ladrões, [19--]: “Dai-me musa dos poetas”; à inspiração divina, em Amor de mãe, de Severino Borges da Silva, [19--]: “Já que Deus dá a ciência”; à atenção dos leitores em A cigana feiticeira, [19--], de Caetano Cosme da Silva: “Neste livro, o bom leitor”; ou mesmo, uma afirmativa contundente, como no verso de Cícero Vieira da Silva em Um amor supliciado nas grades da dentenção, 1958: “O amor quando penetra.

1 (*) NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002

Edição, distribuição e venda

Os primeiros folhetos foram manuscritos passando, posteriormente para textos impressos em tipografias tradicionais, localizadas, principalmente, no Nordeste. O papel mais usado, nos primórdios da produção de folhetos, era o manilha, de baixo custo e boa aderência à tinta tipográfica. Destacaram-se editores como João Martins de Athayde, natural de de Cachoeira de Cebolas (hoje denominada Itaituba, município de Ingá do Bacamarte, PB; José Bernardo da Silva; e João José da Silva, dentre tanto outros. Com a atividade editorial destes poetas e editores criou-se uma vasta rede de distribuidores de folhetos por todo o país. Franklin Maxado Nordestino, em O cordel do cordel, 1982, informa sobre os primeiros editores:
“(...)
Seus poetas são também
Editores e vendedores.
Saem lendo e cantando,
Procurando os leitores
Que gostam das novidades
E versos de mil amores.”

Athayde foi o maior editor de folhetos de cordel de todos os tempos, tendo inciado suas atividades de poeta-editor em 1909, influenciado pelo mestre Leandro Gomes de Barros. Em 1921 comprou os direitos autoriais do velho poeta, falecido em 1918 e, tornou-se, durante mais de 20 anos, detentor exclusivo dos maiores clássicos da literatura de cordel, tendo vendido seu acervo (a obra de Leandro, a sua e de outros poetas ao alagoano José Bernardo da Silva, em 1949. No folheto História da literatura de cordel, José Antônio dos Santos o define:

“João Martins de Atahyde
Quando Leandro morreu
De sua esposa comprou
Parte do acervo seu
Dos direitos autorais
Fez o que bem entendeu”

José Bernardo da Silva, alagoano, vendedor ambulante chega a Juazeiro do Norte, CE, em 1920 e, decide comercializar alguns folhetos de cordel, nas feiras da região. O sucesso da inciativa o leva a tornar-se impressor; e, posteriormente, um dos maiores editores do Nordeste, funda a Tipografia São Francisco. Inicia, assim, sua vida de tipófrafo e poeta. Se auto-define nos versos:

“ Não sou poeta vos digo
Mas com rimas arranjo o pão
Sou bom na composição.
O meu saber se irradia,
Conheço com perfeição.
Agradeço esta opulência
À Divina Providência
E ao Padre Cícero Romão”

João José da Silva, poeta pernambuco, proprietário de uma das maiores folhetarias da década de 50, a Luzeiro do Norte, em Recife, também iniciou-se na poesia de cordel como revendedor/distribuidor, como nos mostra o poeta Delarme Monteiro da Silva no folheto Cordel, repente e canção, [19--]:
“(...)
Certo dia em meu balcão
Surgiu um tal João José
Numa roupinha “sambada”
Tamanco velho no pé
Perguntou pro meu irmão
O seu Delarme, quem é ?

Então eu me aproximei
A ele fui atender
João José me perguntou
- O senhor pode dizer
Se aqui vende folheto
Para a gente revender

Hoje, com a modernização dos recursos gráficos são poucas as tipografias tradicionais; ampliam-se as editoras dedicadas a este tipo de publicação, preparando seus originais em computadores e realizando impressões em modernas máquinas gráficas A literatura de cordel também está presente na internet, como tema, assunto de pesquisa, ou através de poemas publicados por cordelistas que dela se utilizam para veicular seus folhetos. Vale citar o folheto A internet no reino da rapadura, [20--], do poeta João Batista Melo, nos versos que seguem:

“Certo dia eu tava em casa
na minha vida informal
lutando no dia-a-dia
neste momento global
quando ouvi alguém gritar:
Ô poeta venha cá...
chegue aqui no meu quintal...”

Era a vizinha do lado
de nome dona Gildete
mãe de oito “capetinhas”
desses de pintar o sete
que queria porque queria
que eu fizesse em poesia
algo sobre a INTERNET

Me propus então versar
essa jovem genial
que está mudando o mundo
de forma fenomenal
criando Elo e cadeia
tornando tudo uma aldeia
neste contexto global
(...)
Para muitos ela é visagem
espírito da Caipora
a Sereia dos novos tempos
pelos espaços afora
que em fração de segundo
consegue dá volta ao mundo
com a notícia na hora

Dispondo do seu trabalho
se tem o mundo à mão
se “navega” à vontade
sem medos de colisão
só com um teclar de dedos
o mundo perde segredos
e se ganha informação.”

Contracapa — também conhecida como “página editorial” – é a página em que o poeta registra
sua biografia, editores, patrocinadores e distribuidores. Podemos encontrar também, orações, mensagens, horóscopos da astrologia popular, propaganda política, notícias de organizações poéticas, etc.

Bibliografia

Tesauro de Folclore e Cultura Popular Brasileira. Disponível em: www.cnfcp.gov.br
SANTOS, José João dos (Mestre Azulão). O que é literatura de cordel? Japeri, RJ : [s.n., 200-].
BARROS, Leandro Gomes de. Peleja de Riachão com o diabo. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2001.
_____. O cachorro dos mortos. São Paulo : Prelúdio, [19--]. 32 p.
_____. Os sofrimentos de Alzira. São Paulo : Luzeiro, [19--]. 32 p.
MELO, João Batista. A internet no reino da rapadura. Niterói : [s.n.,19--].
MESSIAS, Manoel Messias. Peleja de Manoel Messias com Francisco Carolino :Juazeiro do Norte : Tip. São Francisco, [19--].
NORDESTINO, Franklin Maxado. O cordel do cordel. São Paulo: [s.n.], 1982.
_____. O cordel televivo, futuro, presente e passado da literatura de cordel. Rio de Janeiro: Codecri, 1984.
SANTAMARIA, Manoel. Defenda-se contra o cólera. Araruama: [s.n.], 1992.
SANTOS, Manoel Camilo dos. Peleja de Manoel Camilo com Antonio Correia. Campina Grande Ed. Prop. Manoel Camilo dos Santos : A Estrela da Poesia, 1958
SILVA, Delarme Monteiro da. Nordeste, cordel, repente, canção. Bezerros, PE: Ed. Prop. J. Borges, [19--].
SILVA, Gonçalo Ferreira da. Lenda do Saci Pererê. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Literatura de Cordel, [200-].
_____. Lenda do Caipora. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
_____. Lenda da Vitória Régia. Guarabira : Tipografia Pontes, [19--].
LIMA, Viana, Arievaldo; VIANA, Klévisson, e, Zé Maria de Fortaleza. A didática do cordel. Fortaleza : Editora Tupynanquim, 2005.
SANTOS, Apolônio Alves dos. Façanhas de Lampião. Rio de Janeiro : Ed. Prop. Apolônio Alves dos Santos, [19--].
SILVA, Severino Borges da.Ali-Babá e os 40 ladrões. Recife : Ed Prop. João José da Silva, Luzeiro Norte, [19--].
SILVA, Severino Borges da. Amor de mãe. São Paulo : Luzeiro, [19--].
SILVA, Cosme da Silva.A cigana feiticeira. Recife. Ed. Prop. João José da Silva : Luzeiro do Norte, [19--].
SILVA, Cícero Vieira da. O amor nas grades da detenção. Campina Grande : Ed. Prop. Manoel Camilo dos Sanatos : Tipografia Santos, 1958.
NOGUEIRA, Maria Aparecida Lopes. O cabreiro tresmalhado: Ariano Suassuna e a universalidade da cultura. São Paulo : Palas Athena, 2002.

Maria Rosário Pinto
Biblioteca Amadeu Amaral
Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN/MinC
www.cnfcp.gov.br
rosario.folclore@iphan.gov.br
Academia Brasileira de Literatura de Cordel
www.ablc.com.br
ablc@ablc.com.br
Membro titular da cadeira nº 18 patronímica de José Bernardo da Silva

domingo, 14 de março de 2010

Homenagem de Maria Luiza a Maria Rosário



Foto:Maria Luiza e Maria Rosário

Salve amiga Rosário
Mulher de grande valor
Aqui vai meu comentário
Com ternura e amor

Seu Cordel é poesia
Tem crítica e instrução
Traz pro leitor alegria
E grande satisfação

Meu abraço e meu beijo
Pra você agora deixo.
Caído está o meu queixo
Com a sua inspiração
Aqui despeço-me
Com você no coração

(Maria Luiza Oliveira Membro da ABLC)
mluizasgoliveira@gmail.com
Rio de Janeiro, fevereiro de 2010.

Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa de Assaré


Foto:2.bp.blogspot.com/.../s400/aplausos.bmp

Por Pamela Mascarenhas

Reprodução

Serão escolhidos 200 projetos, distribuídos em quatro categorias

Rio de Janeiro (O Repórter) - A cultura popular acaba de ganhar o incentivo do governo para produzir trabalhos relacionados à literatura de cordel. A profissão das rimas, que contam histórias transmitidas de geração em geração, e repentes, que desafiavam a criatividade dos que duelam, foi regulamentada no dia 14 de janeiro deste ano. Desde então ainda não haviam desenvolvido nenhum projeto destinado ao gênero que influenciou escritores como Ariano Suassuna. Até que o Ministério da Cultura criou o Edital Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 - Edição Patativa de Assaré, lançado durante a II Conferência Nacional de Cultura. As inscrições vão até o dia 26 de abril.

Preocupada com temas como identidade cultural brasileira e valorização da diversidade, a Conferência começou na quinta, dia 11, e termina no domingo, dia 14, em Brasília. O edital contemplará duzentas iniciativas voltadas à criação, produção, pesquisa, formação e difusão da literatura de cordel e linguagens relacionadas, como a xilogravura, o repente, o coco e a embolada. Os R$ 3 milhões do orçamento serão distribuídos, como “prêmio”, entre os selecionados.

Os projetos devem se enquadrar em quatro categorias: Criação e Produção - apoio à edição e reedição de folhetos de cordel, livros, CDs e DVDs; Pesquisa - dissertações de mestrado, teses de doutorado ou reedição de livros publicados até 10 de março de 2010; Formação - projetos que contribuam para a formação de profissionais; e Difusão - eventos e produtos culturais que contribuam para a valorização e propagação da cultura popular, como feiras, mostras, festivais e outras iniciativas.

De acordo com o diretor de Livro, Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, a iniciativa é resultado do Seminário de Políticas Públicas para Cordel, realizado em maio de 2009. "Esse prêmio vem atender a necessidade de ressaltar a Literatura de Cordel e linguagens afins como patrimônio imaterial brasileiro, entendendo sua unicidade e papel central na construção da identidade e da diversidade cultural brasileira, bem como estabelecer um canal direto com poetas e cantadores populares”.

O BLOG CORDEL DE SAIA AGRADECE A JÚNIOR BONFIM


Dalinha Catunda agradece as saudações do poeta e escritor crateuense, Júnior Bonfim, em nome do blog: cordeldesaia.

Júnior Bonfim:
Saúdo a mulher de fibra
Que nunca foge da raia.
Saúdo a ternura da fêmea
Que tomara nunca caia.

Dalinha Catunda:
Obrigada Júnior Bonfim
Pela sua saudação.
Pelas palavras bem ditas,
Cheias de inspiração.


Júnior Bonfim:
Saúdo a Humilde sertaneja
Que brilha no sol da praia.
Saúdo as que criaram,
O blog cordel de saia.

Dalinha Catunda:
Nosso limite é o céu
Subiremos feito arraia
Levando em nossos vôos,
O blog cordel de saia.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CORDEL DE SAIA RECEBE SÁVIO PINHEIRO



Foto da ABLC. Sávio com sua tia Celina e Sávio Com O presidente da ABLC Gonçalo Ferreira da Silva.
O Texto " O Doutor do Cordel" da autoria de Dalinha Catunda, foi publicado dia 27 de junho no Jornal "O Povo" de Fortaleza-Ceará.

O DOUTOR DO CORDEL

A cidade maravilhosa, acolhedora como sempre, recebeu no sábado passado, 20 de junho, a figura interessantíssima, do médico cearense Sávio Pinheiro.

Dr. Sávio presta um grande serviço a população cearense, orientando seus pacientes através da literatura de cordel. E assim, vai deixando a medicina mais popular e bem mais perto do povão.

O intuito Maior desta viagem foi seu ingresso na ABLC, Academia Brasileira de Literatura de Cordel que recebeu de braços aberto o médico cordelista.

Grande parte do quadro acadêmico da ABLC compareceu ao evento, entre as figuras de peso do cordel, quero destacar a presença do acadêmico Klévisson Viana, poeta, cartunista e editor, que abriu a solenidade reforçando a importância do Ceará no Cordel

Além da posse do Dr. Sávio Pinheiro, que hoje ocupa a cadeira 35 e tem como patrono, Manoel Pereira Sobrinho, teremos até o final do Ano a posse de José Maria de Fortaleza, Guaipuan Vieira, e do baiano Bule-Bule.

Eu como cordelista fico feliz em fazer parte do rol de cearenses que atuam no cordel e de certa forma levam o nome do Ceará além dos seus limites.

Aqui inicia o texto que é uma cortesia de Sávio Pinheiro a Maria Rosário que tem se dedicado a catalogação e divulgação do cordel.

Rosário, segue um soneto enaltecendo as mulheres. Veja-o.


Dedico este poema a todas as mulheres neste 08 de Março, Dia Internacional
da Mulher, e a quatro “Marias” especiais: a minha mãe Maria Dalva Teixeira,
que faz aniversário amanhã, dia 09 de Março, a santa Maria, mãe de Deus,
nossa compadecida protetora, a Maria da Penha, que tanto sofreu na pele os
horrores da hipocrisia machista e a Maria Bonita, que com a sua beleza,
determinação e coragem se consagrou como a primeira mulher a entrar no
cangaço, domando, através do amor, o intempestivo cangaceiro Virgulino
Ferreira da Silva, o Lampião. Hoje, dão-se início as comemorações do seu
centenário.



SONETO À MULHER VALENTE

Autor: Sávio Pinheiro



Viva! ao sertão, por defender valente

Duas mulheres, vivas, do Nordeste:

Uma, vivida, tal cabra da peste

Outra, bem viva, quão pura semente.



Ambas sofreram, lacerando a mente,

Do litoral ao tenebroso agreste,

Do Norte ao Sul e do Leste ao Oeste...

Viveu a dupla, emocionadamente!



Elas oravam rogando à Maria,

Mãe de Jesus, uma mulher bendita,

Pra plantar paz, amor e alegria.



Maria da Penha, o teu sofrer credita

Um Oito de Março, de muita energia,

No Centenário de Maria Bonita.

APAGÃO I (2001) II (2009)


Apagão I (2001) II (2009)

01
Caros amigos, leitores
Olha só que confusão
Em que suruba danada
Foi nos meter Fernandão
Parece coisa do demo
Tamanha complicação
02
Fernandão vem nos mostrar
A sua democracia
Que na miséria do povo
É pura demagogia
Parecendo até cinismo
Falar em cidadania
03
Ele diz que é letrado
Sociólogo, sim senhor!
Mas parece que esqueceu
As doutrinas de doutor
E o povo pagando o pato
Chorando e sentindo dor
04
Ele diz que não sabia
Oh! Que povo inconsciente
Mas porque não avisaram
Ao ilustre presidente
P’ra que ele não fizesse
Essa maldade com a gente?!
05
Se pudesse eu chegaria
Suave como uma mosca
Nas entranhas do Planalto
Desatarraxando a rosca
Onde o que é para o povo
Esbarra em promessa tosca
06
Vamos voltar para o tempo
Com a luz de lampião
Que afeta nossa vista
Estragando o nosso pulmão
Tudo como conseqüência
Deste maldito apagão
07
No ponto em que nós chegamos
Que Deus pena de nós tenha
Adeus dona ecologia
Na cozinha eu uso lenha
Cada um faça o que pode
Da forma que lhe convenha
08
Para cumprir a medida
Inventaram uma meta,
No consumo lá de casa,
Parece coisa incorreta
Bisbilhotando a vida
De quem anda em linha reta
09
Até o nosso São Pedro
Recebeu sua incumbência
Providenciar que chova
Pela divina clemência!
Assim ficou de plantão
Sem perder a paciência
10
Ah! Que saudades que tenho
Dos tempos que já se vão
Toda chuva que caía
Anunciava o trovão
Nosso querido São Pedro
Nem pensava em apagão
11
Há governantes que cuidam
Da saúde do povão
Mas aqui é diferente:
Pois o nosso cidadão
Somente é visto e lembrado
Quando chega uma eleição
12
Sofrendo as ameaças
De ver luzes apagadas
As famílias constrangidas
Ficam sempre aperreadas
Banham-se rapidamente
Usam roupas mal lavadas
13
Não se pode ouvir o rádio
Pois na corrente é ligado
Televisão, nem pensar
O lazer foi controlado
A gente tem que ficar
No escuro e abafado
14
Não consigo entender
A tal globalização
O mundo todo alinhado
O Brasil na contramão
Se isto é globalizar...
Fora, a globalização!
15
Hoje as nossas riquezas
Pelo mundo, empenhadas
Nossas maiores empresas
Já foram arrematadas
(Em leilões constrangedores)
No país, espoliadas
16
O distante dirigente
Quando chega a eleição
Beija o povo ardentemente
Chega perto da nação
Foge dele quando vem
O final da votação
17
O Brasil é sempre jovem
Como país do futuro
Vamos chegar à velhice
Em regime muito duro
Nossas crianças vivendo
Sem conforto e no escuro
18
Até mesmo o futebol
Já está prejudicado
Horário em nossos estádios
Agora está controlado
Para se ganhar a copa
O sonho fica adiado
19
Também como anda a vida
As coisas esculhambadas
Nossa seleção não ganha
Nem dos times de peladas
Só falta agora perder
As copas já conquistadas
20
Nosso país hoje vive
A grande guerra civil
A violência parece
Ser de pólvora um barril
A continuar assim
Morrerão de mil em mil
21
O povo passando fome
E com a barriga vazia
Já perdeu as esperanças
E também a fantasia
Pagando pelos enganos
Com erros em demasia
22
Eu estudo o cordel
Com afinco e alegria
Muito é preciso aprender
Para escrever com mestria
Procurando exercitar
O valor da poesia
23
Faço agora este cordel
Dividindo a autoria
Com meu amigo Sepalo
Amante da poesia
É poeta de valor
Lá da nossa Academia
24
(Sepalo)
A divisão de autoria
Que Rosário concedeu
É mais um a cortesia
Que a colega ofereceu
Porque de fato o cordel
É mais dela do que meu
25
Quem tem o dom de poeta
Rimando sente alegria
O cordel é uma luz
Que todo o mundo alumia
E não existe apagão
Que apague a poesia

Apagão II (2009)
26
Não publiquei em folheto
No ano 2001...
Depois, deixei guardado
Sem pensamento nenhum
Era coisa do passado,
Não tinha valor algum
27
Mas no ano 2009
Outro apagão acontece
Parece coisa do demo
Penso que ninguém merece
Muitos bairros às escuras
Amanhã logo se esquece
28
Sem ter a quem reclamar
Paga conta exorbitante
Liga para o ouvidor
Com ouvidos de mercante
Cansado, o povo desiste
Do sonho de reclamante
29
Lula diz tá inocente
A política parece
Uma grande indecência
Logo vem outro sinistro
O povo indignado
Tratado com displicência
30
Nosso ilustre presidente
Repete: sou inocente
O governador insiste
Em queixar-se ao presidente
E as Olimpíadas? Cuidado!
Vai sobrar pra muita gente!

Maria Rosário Pinto
(Apoio: Sepalo Campelo)
FIM
Rio de Janeiro, Dezembro 2009.

O APAGÃO NO RIO DE JANEIRO

O APAGÃO

O Brasil há muito tempo,
Tem sua cota de apagão.
E o povo que atura tudo,
Aceita sempre a situação.
Mete o rabo entre as pernas
E não cobra uma solução.

Pagar a minha energia,
Mas que dever, é sagrado.
Aí de mim se não pagar!
Meu relógio será lacrado.
Deveres eu tenho muito,
Mas direitos são negados.

Ceci, ampla e light
Tudo é uma coisa só.
Dou uma pela outra,
Não sei qual é a pior,
Na cidade ou no campo,
De mim elas não têm dó.

Texto: Dalinha Catunda

quinta-feira, 11 de março de 2010

Notícia da hora Sobre Cordel

Li na coluna de Ancelmo Gois:

"O Ministro Juca Ferreira anuncia hoje o primeiro edital brasileiro para literatura de cordel, no valor de R$3 milhões.
Aliás, na Biblioteca do Senado dos EUA, há no acervo 10 mil titulos do cordel brasileiro"

Dalinha Catunda

quarta-feira, 10 de março de 2010

Rouxinol do Rinaré


Foto de Rouxinol de Rinaré retirada de seu blog.

Rouxinol do Rinaré, que na verdade se Chama Antonio Carlos da Silva, nasceu em Quixadá-Ce. É um cordelista cearense atuante, dedicado ao cordel em sua melhor forma.
A ele, o respeito e o carinho do blog: cordeldesaia

Comentário de Rouxinol do Rinaré

Vocês, com rimas perfeitas,
Mostram como o cordel é.
Mulheres que escrevem assim
Eu leio e aplaudo de pé...
Assinado, o cordelista,
Rouxinol do Rinaré!!!


ROUXINOL DO RINARÉ

Dalinha Catunda

Rouxinol do Rinaré
É pássaro cantador.
Voando pelo cordel,
Seu espaço conquistou.
O poeta sabe o que quer,
Por isso aplaude a mulher,
Que neste mundo entrou.

A Rouxinol do Rinaré,
Eu quero agradecer.
Espero que seu canto,
Nunca venha emudecer.
Pois é canto de alegria,
Com ares de parceria,
Chega até me envaidecer.


Obrigada Rouxinol do Rinaré

Maria Rosário Pinto

Rouxinol do Rinaré,
O nosso agradecimento
Saias rimando em cordel
Apoio aqui, é alento.
Rinaré, é grande artista
Informa, dando a pista,
O blog em depoimento.

terça-feira, 9 de março de 2010

ZECA FROSINO E O FORRÓ PÉ-DE-SERRA


"ZECA FROSINO"
Foto e texto de Dalinha Catunda


PARABÉNS “ZECA FROSINO”

Ipueiras-Ce é minha Terra, lá nasceu “Zeca Frosino”.

Zeca Frosino é uma lenda viva ipueirense. Tem 86 anos e 55 deles dedicados ao forró pé-de-serra.

Todo ano no mês de julho Ipueiras se anima para comparecer ao mais famoso forró pé-de-serra da região.

Hoje quero parabenizar “Zeca Frosino” pelo seu aniversário e agradecê-lo por preservar o forró pé-de-serra e transformá-lo em tradição em nossa terra.

Zeca Frosino.

Nasci no Curupati,
No arroz eu me criei.
Um ranchinho na Floresta,
Pra morar eu levantei.
E meu primeiro forró
Foi nele que realizei.

Era lua e lamparina,
Minha iluminação.
Os recursos eram poucos,
Mas sobrava animação.
Foi assim que virei lenda,
Cultura e tradição.

Um sanfoneiro dos bons,
Sempre comanda a folia.
No meu forró de matuto,
O que não falta é alegria.
Começa na boca da noite,
Termina ao raiar do Dia.

É hoje no Corte Branco,
Minha quadra meu terreirão.
Onde reúno os amigos
Com grande satisfação,
Pra prestigiar esse velho,
Que prestigia o sertão.

Meu nome é “Zeca Frosino”,
Você já sabe de cor.
Também sabe que não vivo,
Sem folia sem forró.
Cachaça, forró e família
Não vejo nada melhor.

domingo, 7 de março de 2010

MULHERES MUSAS



1
Divina musa! inspirai-me
Para narrar uma história
Que os menestréis me contaram.
Mulheres de amor e glória,
Ilustraram os romances
de beleza e vitória
2
Meus poetas cordelistas
Hoje, venho vos narrar,
As histórias do passado,
De princesas vou falar,
Vivendo encasteladas,
Querendo o amor desfrutar
3
E muitas destas princesas
Em noites de escuridão
Choraram por seus amores
Naquela horrível prisão
Sonhando contos de fadas
De amores e paixão
4
Mas isto foi lá na Europa
Aqui a vida é mais dura
Não há príncipe encantado
Somente a desventura
Marcada pelo cangaço
E um mundo de amargura
5
Sem desfrutar do amor
Mulheres, quase meninas,
Transformaram suas vidas
Num castelo de ruínas
Filhas de pais muito austeros
Amargaram tristes sinas
6
E quando se rebelavam,
Seus pais desorientados
Reféns da ignorância
Davam-lhes as costas, coitados!
Sem imaginar que um dia
Sem preconceito ou pecados
7
Aquelas mesmas mulheres
Que lutaram por amores
De suas prisões voaram,
Superando suas dores
Cantando e trabalhando
Desenvolvendo pendores
8
Com amor e com trabalho
Conquistaram seu espaço
Ampliaram os horizontes
Vivendo sob o compasso
Do pensamento liberto
Nunca pensando em fracasso
9
Nosso mundo evoluiu
Hoje a mulher determina
Que norte dará à vida
Mesmo sendo nordestina
Não carrega o estigma
Daquela pobre menina
10
Tristes tempos do passado
Quando as meninas caseiras
Sem muita oportunidade
Só casamento e canseiras
Cheias de filhos, coitadas!
Era muita trabalheira
11
Hoje ela tem profissão
Escolhe a vida que quer
Sem preconceito que diga
Se meretriz, ou qualquer!
Conquistou a felicidade
O orgulho de ser mulher
12
No mercado de trabalho
Conquistou sua projeção
Em outros tempos diriam
Isso é conversação
Num mundo tão masculino
É mesmo pura invenção
13
Estatísticas demonstram
Em percentual seguro
A mulher ultrapassou
Da universidade o muro
Soma número relevante
Demarcando o seu futuro
14
Além de educadoras,
De propensões naturais
São cientistas, sim senhor!
Estudam mapas astrais,
Olhos observadores,
Nos círculos celestiais
15
Antes os olhos só viam
Estrelas de romantismo...
Indagam solenes, agora,
Sobre o ambientalismo
Não esquecendo sequer,
De estudar o ecologismo...
16
São mulheres engajadas
Crescendo junto com os filhos,
Os companheiros percebem
Na profissão os seus brilhos
À braços com suas mulheres
Têm que andar nos trilhos
17
Com o futuro garantido
E sempre pra frente olhando
Uma vida mais tranqüila
Assim, vão assegurando,
Vivendo de seus trabalhos
Elas vão se orgulhando
18
São as mulheres de hoje
Cumprindo suas jornadas
São mães e profissionais
Caminhando nas estradas
Sustentando os seus lares
Amando e sendo amadas

FIM
Maria Rosário Pinto
Rio, 8 de março 2010.
No DIA INTERNACIONAL DA MULHER, dedico o poema a Dalinha Catunda, poeta popular. Mulher guerreira - rompendo preconceitos e atravessando fronteiras.

quinta-feira, 4 de março de 2010

SAIAS NO CORDEL


Foto e texto de Dalinha Catunda

SAIAS NO CORDEL
1
Sou poeta cordelista
Nascida lá no sertão.
Ipueiras é minha terra,
O Ceará é meu rincão.
Adoro ser nordestina.
Levo comigo uma sina,
Amar meu agreste chão.
2
Minha mãe fazia versos,
E gostava de declamar.
Foi professora primaria,
Com ela aprendi a rimar.
Ter gosto pela cultura,
Abraçar a literatura,
E o velho cordel amar.
3
E assim me fiz mulher
Abraçando a poesia.
Meu mundo encantado
Era cheio de magia.
Talvez um pouco irreal.
Mas para mim era ideal,
Pois era o que eu queria.
4
A mulher abriu caminhos,
Difíceis de percorrer.
Pôs os pés na estrada.
Pra demonstrar seu saber.
Foi bem grande sua luta
Mas ficar sempre oculta
Impossível conceber.
5
Durante muito tempo
Fomos só inspiração.
Musa que os poetas,
Traziam no coração.
Sonhávamos ter um dia
Nossa popular poesia
Com farta publicação
6
Não estou insinuando
Que a mulher não atuava.
Ela já fazia seus versos
Apenas não publicava.
Mostrava sua alegria
Nas rodas de cantorias
E aplauso conquistava.
7
Apesar do machismo,
A mulher se aventurou,
Mesmo analfabeta,
Entrou na roda e cantou
Sem ligar pro: ora veja!
Encarando as pelejas
O homem desafiou.
8
No livro “Cantadores”
Pra minha satisfação
Conheci cantadoras.
Uma chamou atenção
Por ser bem animada,
E cheia de presepada,
Zefinha do Chabocão!
9
Pelo Nordeste afora,
Nas rodas de cantoria,
Rita Medeiros cantava,
Chica Barrosa se via.
Até Maria Tebana,
Agia naquelas bandas,
E aplauso garantia.
10
Quando a mulher decidiu,
Por imprimir seu cordel.
Foi nome masculino,
Que ela botou no papel.
Essas pobres criaturas,
Sofriam com a tortura,
Do patriarcado cruel.
11
Mas tudo modificou,
Hoje a coisa é diferente.
O cordel está em festa
E a mulherada presente.
Homem agora é parceiro
Até virou companheiro,
No cordel e no repente.
12
Hoje as cordelistas,
Assumem seu lugar.
Na Bahia, Pernambuco,
Paraíba e Ceará.
O Nordeste brasileiro,
Há muito virou celeiro,
De mulheres a versejar.
13
Pelos cantos do Brasil,
A mulher faz poesia.
Temos em Juazeiro,
A boa Salete Maria.
Que audaz em sua meta,
Tem postura correta,
E desbanca hipocrisias.
14
Na Paraíba temos,
Nelcimá de Morais.
Mestra e cordelista.
É engajada demais.
Pesquisando o cordel,
A mulher e seu papel,
Em tempos medievais.
15
Já Josenir Lacerda,
Com Bastinha, é fato,
As duas são pioneiras
Da academia de Crato.
Trazem com devoção
O cordel no coração,
Dando a ele bom trato.
16
Tem Maísa Miranda,
É safra lá da Bahia.
Temos Ilza Bezerra
Recebendo honrarias.
O cordel está crescendo
Mulheres aparecendo,
Sa1ve os novos dias.
17
Muitas mulheres agem
Neste mundo do cordel.
Ativas e anônimas
Respeito cada papel.
Mas pra falar a verdade,
A minha felicidade
É vê-las rasgando o véu.
18
Pesquisadores buscam,
Nossa arte revelar
Cordel de boca em boca.
Chega a todo lugar.
Agora com a internet
Esta obra do Nordeste.
Ficará mais popular.
19
Eu sempre fui inquieta
E cheia das novidades.
Enxerida como que!
Para falar a verdade.
Amasiada com cordel,
Faço dele meu corcel,
E minha felicidade.
20
Sou Dalinha Catunda,
Não foi minha intenção,
Sobre o cordel feminino,
Fazer vasta explanação.
Só um parco recado:
Que se abra o mercado
Para nossa produção.

segunda-feira, 1 de março de 2010

CATALOGAÇÃO DE CORDEL


Foto e texto de Maria Rosario


Catalogação de cordel
1
Caros amigos, leitores
Venho aqui para explicar
Neste trabalho exaustivo
De quem vive a pesquisar
A maneira mais correta
Do cordel catalogar
2
Mas com verso de cordel
Há que ter muito cuidado
Se o cabra não for bom
Vai ficar atrapalhado
Escrever muita besteira
Ficar desarticulado
3
No Centro Nacional
De Cultura Popular
Acervo de cordel é
Referência singular
Poeta de toda parte
Vem aqui depositar
4
Seus folhetos de cordel
Para conosco gravar
A Memória permanente
Da cultura popular
A Cordelteca respalda
A poesia popular
Seu valor tradicional
5
Em cordel, na informática
Da Amadeu Amaral
Dentro de nosso sistema
Código é dado especial
Local, então, nem se fala
É coisa fundamental
6
Nosso Registro é fiel
A polêmica é autoral
O acróstico, identifica
Título é fundamental
Cada qual dando notícia
Da história universal
7
A Responsabilidade
É como se apresentar
E se for proprietário
Vale à pena assinalar
Constar Série é muito raro
Edição deve constar
8
Imprenta, que nome estranho!
Nada mais que o lugar
Onde o folheto foi feito
Pense em prensa pra informar
A gráfica é importante
Mais importante é datar
9
Descrição que coisa louca
Páginas, estrofes, versos
Identificar a métrica
Olhando estilos diversos
Se galope, se mourão
E outros mais controversos
10
Nas Notas vale dizer
Sobre o visual da capa
Se é feito em xilogravura
Ou se é desenho à tapa
E sempre o primeiro verso
Ajuda a montar o mapa
11
Chega a vez dos Descritores
Outro nome complicado
Nada mais do que o assunto
No cordel catalogado
Mas pra quem tem um tesauros
Tudo está facilitado
12
O tal IN, parte do todo
Arre, coisa complicada...
Agora vamos falar:
Deixa a gente abestalhada
Poderemos com cuidado
Ter a trama explicada
13
Atenção! todo o cuidado
Com folhetos reservados
Têm os versos copiados
Pelo tempo desgastados
Serão higienizados
E logo recuperados
14
Tem folhetos de 8 páginas
que facilitam a venda
o poeta economiza
pra manter sua vivenda
vai compondo os seus versos
que sem mistérios desvenda
15
São de 32 páginas,
Os folhetos de romance
princesas e outros heróis
Descritos em suas nuances
Nesta nossa Cordelteca
compondo grandes romances
16
Existem folhetos em prosa
descrevendo com firmeza
ensinamentos locais
em toda a sua beleza
O poeta dá lições
Pra preservar a natureza
17
Horóscopos, anuários
o cordelista sagaz
Entende das estações
E quando o plantio se faz
Tem os olhos nas estrelas
Buscando ser eficaz
18
Todo folheto contem
Verso, rima e oração
Não podendo esquecer
Sua metrificação
A rima traz a beleza
que nos fala ao coração
19
Contém sempre grandes temas
Os abecês são famosos
Seguindo nosso alfabeto
Trazem temas ardilosos
Chamados de abecedários
Sempre em versos primorosos
20
Nestes folhetos encontramos
Da lavoura os saberes
Dela, o alimento se extrai
Conservando seus poderes
Sua riqueza é imensa
Se com ela conviveres
21
Meu pai foi um grande mestre
Me ensinou tudo que sei
O gosto pela leitura...
O que sou e sempre serei
Dominava a poesia
Isto eu presenciei
22
Também foi bom seresteiro
Violeiro e cantador
Dele eu herdei o gosto
Porém, não tenho o pendor
De fazer versos rimados
Como um vate de valor
23
Nos meus tempos de criança
O meu pai contava histórias,
Muitas que ainda trago
Bem guardadas na memória,
Nas noite de lua cheia
Sem caráter de oratória
24
Eram noite de encanto
No terraço sob o luar
Aquele homem sisudo
Com sua viola a tocar
Narrava com alegria
Sempre os versos a rimar
25
Encantava os seus filhos
Fazendo as brincadeira
Que a todos agradavam
Tinha a dança das cadeiras
Que a meninada gostava
Valia uma noite inteira
26
Tínhamos “boca de formo”
“Farão tudo que eu mandar?”
Lá vai: Boca de forno !
O seu mestre vai gritar
Sem se rir e titubear
Farão o que mestre mandar...
27
Buscando leveza e graça
Minha rima não é reta
Fiz só uma brincadeira
Visto que não sou poeta
Para um Manual que é massa!
Penso atingir essa meta
28
O ACRÓSTICO registra
A verdadeira autoria
Lá no final do poema
Você lá encontraria
Ele, o verdadeiro autor
Sua marca deixaria
29
Receita, só na cozinha
Ou em canto similar
Será que valeu à pena
Agora isto aqui tentar?
Reflita, leitor amigo,
Isto que agora vos digo
O futuro há de julgar
FIM
Rio de Janeiro, março de 2009
Maria Rosário Pinto
(apoio Sepalo Campelo)